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terça-feira, 20 de março de 2012

Durkheim


Costumamos dizer em nossas aulas que a Sociologia é o estudo da sociedade. Pois bem, e realmente é. Contudo, não se trata de qualquer“estudo” de qualquer“sociedade”. Há um pouco mais que isso.

 A proeminência de um trabalho intelectual amplo sobre o modo como os seres humanos se organizam em grupos para produzir meios que atendam às suas necessidades – processo no interior do qual são produzidos, também (como mediadores das relações que aí surgem), valores, normas, instituições, costumes, relações de poder, ideias etc – se manifesta de forma específica, pela primeira vez, em um espaço e um tempo relativamente precisos. Falamos, então, de forma mais geral, da Europa de meados do século XIX. Desse modo, notamos que o tipo de conhecimento associado à Sociologia está inerentemente ligado àquilo que se convencionou chamar desociedade moderna ocidental – o âmbito do desenvolvimento do capitalismo.

Na França de fins do século XIX e início do XX, envolvida em uma grande crise que tanto incluía, por um lado, miséria e desemprego, e uma grande expansão tecnológica, industrial e científica, por outro, e ainda abalada pelos resultados da derrota na guerra franco-prussiana e da dissolução da Comuna de Paris, um sociólogo de importância fundamental para a afirmação da disciplina busca estudar os problemas existentes em sua sociedade e se esforça por apontar, de forma racional, as causas e as soluções destes: Trata-se de Émile Durkheim (1858 – 1917).

Influenciado pelo contexto em que a França se encontrava, Durkheim se dedica, em seu labor sociológico, à questão da ordem; ou melhor, trabalha no sentido de elaborar uma análise social direcionada à adequação de um novo modelo científico e moral à ordem industrial emergente, tendo em vista as consequências turbulentas das Revoluções Francesa e Industrial sobre a dimensão moral dessa nova forma de organização social, cada vez mais desvencilhada do poder autoafirmadoda tradição, do dogma e da religiosidade cristã dos moldes tradicionais.

O sociólogo francês desenvolve, assim, um modelo de análise social que pressupõe, fundamentalmente, uma superioridade lógica daquilo que concebe como um organismo social sobre suas partes constituintes – os indivíduos, as instituições tomadas de forma isolada etc. No âmago deste pensamento sistemático está a noção de fato social, que Durkheim elabora na forma de “toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.” (apudQUINTANEIRO, 2002. p. 61)
Envolto pela atmosfera cientificista da Europa de seu tempo, Émile Durkheim se dedica à questão da legitimação da Sociologia como ciência e, dessa forma, trabalha por conferir à disciplina incipiente os princípios determinantes do fazer científico moderno, isto é, principalmente no que diz respeito à distância necessária entre sujeito e objeto, o que implica no tratamento do último de forma objetiva e neutra, como se acreditava. Assim, o sociólogo chega à formulação do fato social como coisa, no sentido de atribuir-lhe uma exterioridade e independência em relação aos indivíduos. Ou seja, trata-se de um fato concreto, inquestionável quanto à sua existência real,  e irredutível às suas partes. Daí decorre um princípio explicativo do fato social: Um fato social só pode ser explicado por outro fato social, e faz-se necessário ao sociólogo o desprendimento de todo preconceito ao analisá-lo.

Ao tratar de temas como o das fronteiras entre História, Filosofia, Psicologia e Sociologia, delimitando o espaço desta; da ordem social e seus fatos constitutivos; do suicídio; da integração social por meio dos tipos de solidariedade; além da necessidade de intervenção sociológica no processo educacional, Durkheim logrou êxito na consolidação do espaço institucional da da Ciência Social em suas diversas áreas, assim como seu lugar entre os autores clássicos da Sociologia – aos quais sempre é necessário reportar-se.


BIBLIOGRAFIA
QUINTANEIRO, Tania. Um Toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber / Tania Quintaneiro, Maria L. de Oliveira Barbosa, Márcia Gardênia de Oliveira. – 2ª ed. rev. amp. – Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.
TOMAZI, Nelson D. Sociologia Para o Ensino Médio. São Paulo: Saraiva. 2010.

Por.: Matheus da Costa, Ciências Sociais - UESC - 5º semestre

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